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quarta-feira, 25 de junho de 2014

DISLEXIA


Como trabalhar com um aluno com dislexia?
  • Uma  proposta pedagógica que contemple, além de prova escrita, a possibilidade de realização de avaliação oral, através de discurso ou conversa, realizada individualmente ou em grupo, com ou sem consulta a qualquer fonte.
  • Tratamento em relação ao aluno com naturalidade, a despeito do resultado da avaliação e do diagnóstico da dificuldade de leitura.
  • Uso de linguagem direta, clara e objetiva durante a aula e para falar com o aluno. Alunos com dificuldade de leitura geralmente apresentam também dificuldade para compreender uma linguagem (muito) simbólica, sofisticada e metafórica. Seja simples, utilize frases curtas e concisas ao passar instruções.
  • Fale olhando diretamente para ele. Isso ajuda e muito, enriquece e favorece a comunicação.
  • Traga-o para perto da lousa e da mesa do professor. Tê-lo próximo à lousa ou à mesa de trabalho do professor pode favorecer o diálogo, facilitar o acompanhamento, facilitar a orientação, bem como criar e fortalecer novos vínculos.
  • Verifique sempre e discretamente se ele demonstra estar entendendo à exposição. Ele tem dúvidas a respeito do que está sendo objeto da sua aula? Ele consegue entender o fundamento, a essência do conhecimento que está sendo tratado? Ele está acompanhando o raciocínio, a explicação, os fatos? Repita sempre que preciso e apresente exemplos, se for necessário.
  • Certifique-se de que as instruções para determinadas tarefas foram compreendidas.
  • Observe se ele está integrando com os colegas. Em certas atividades escolares em que a inaptidão para leitura e escrita pode ser evidenciada (provas em dupla, trabalhos em grupo, etc), é possível que seja evitado pelos colegas. O professor deve evitar situações que evidenciem esse fato.
  • Estimule-o, incentive-o, faça-o acreditar em si, a sentir-se forte, capaz e seguro. Alunos com dificuldades na leitura podem ter histórias de frustrações, sofrimentos, humilhações e sentimentos de menos valia, nas quais a escola teve alguma contribuição. Cabe, portanto, à mesma escola, ajudá-lo a resgatar sua dignidade, a fortalecer e a (re) construir sua auto-estima.
  • Sugira-lhe "dicas", "atalhos", jeitos de fazer", "associações", que o ajudem a lembrar-se de, a executar atividades ou a resolver problemas.
  • Não lhe peça para fazer coisas na frente dos colegas, que o deixem na berlinda: principalmente ler em voz alta.
  • Apresentação do conhecimento em partes, de maneira dedutiva. Abordagens e métodos globais e dedutivos são de difícil compreensão para o aluno e ele tende a lidar melhor com as partes do que com o todo.
  • Permita, sugira e estimule o uso de gravador, tabuada, máquina de calcular e recursos da informática.
  • Permita, sugira e estimule o uso de outras linguagens.
Em relação às avaliações, sugere-se que:
  • Sejam evitadas provas que contenham exclusivamente textos, sobretudo textos longos (devido à dificuldade da criança em entender o que lê);    
  • Seja utilizada uma única fonte, simples, em toda a prova (preferencialmente "Arial 11" ou Times New Roman 12"), evitando-se misturar fontes e tamanhos, sobretudo às manuscritas (itálicas e rebuscadas);
  • A prova seja lida em voz alta, e antes de iniciá-la, verifique se o aluno entendeu o que foi perguntado, se compreendeu o que se espera que seja feito (o que e como);
  • Destaque claramente o texto de sua (s) respectiva (s) questão (ões);
  • Recorra a simbolos, sinais, gráficos, desenhos, modelos, esquemas e assemelhados, que possam fazer referência aos conceitos trabalhados;
  • Não sejam utilizados textos cientificos ou literários (mormente e os poéticos), que sejam densos, carregados de terminologia especifica, de simbolismos, de eufemismos, de vocábulos com múltiplas conotações, para que o aluno os interprete exclusivamente a partir da leitura. Nesses casos, recorra à oralidade;
  • Evite estímulos visuais "estranhos" ao tema em questão;
  • Se utilizar figuras, fotos, ícones ou imagens, cuidar para que haja exata correspondência entre o texto escrito e a imagem;
  • Dê preferência às avaliações orais, através das quais, em tom de conversa, o aluno tenha a oportunidade de dizer o que sabe sobre o (s) assunto (s) em questão;
  • Não indique livros apenas para leituras paralelas. Dê preferência a outras experiências que possam contribuir para o alcance dos objetivos previstos: assistir a um filme, a um documentário, a uma peça de teatro, visitar um museu, um laboratório, uma instituição, empresa ou assemelhado, recorrer a versões em quadrinhos, em animações, em programas de informática;
  • Observe as direções da escrita (da esquerda para a direita e de cima para baixo) em todo o corpo da avaliação.
  • Não previlegiar na avaliação a memorização de nomes, datas, fórmulas, regras gramaticais, espécies, definições, etc. Quando tais informações forem importantes, forneça-as ao aluno (verbalmente ou por escrito) para que ele possa servir-se delas e empregá-las no seu raciocínio ou na resolução do problema.
  • Previlegie a avaliação de conceitos e de habilidades e não de definições.
  • Permita a utilização de tabuada, calculadora, gravador, anotações, dicionários e outras registros durante as avaliações.
  • Dê instruções curtas e simples (e uma de cada vez) para evitar confusões.
  • Elabora questões em que o aluno possa demonstrar o que aprendeu completando, destacando, identificando.
  • Dê mais tempo para realizar a prova.
  • Possibilite a realização da prova num outro ambiente da escola (sala de orientação, biblioteca, sala de grupo).
  • Elabore mais avaliações e com menos conteúdo, para que o aluno possa realizá-las num menor tempo.
Outras medidas que podem ser tomadas em relação à avaliação são as seguintes: 
  • Avaliar continuamente (maior número de avaliações e menor número de conteúdo).
  • Personalizar a avaliação sempre que possível. Desenhos, figuras, esquemas, gráficos e fluoxogramas, ilustram, evocam lembranças, ou substituem muitas palavras e levam aos mesmos objetivos.
  • Quando for idêntica a dos colegas, leia você mesmo (a), os enunciados em voz alta, certificando-se de que ele compreendeu as questões.
  • Durante a avaliação preste a assistência necessária, dê a ele chance de explicar oralmente o que não ficou claro por escrito e respeite o seu ritmo.
  • Ao corrigi-la, valorize não só o que está explícito como também o implícito e adapte os critérios de correção para a sua realidade.
  • Não faça anotações na folha da prova (sobretudo juízo de valor).
Não registre a nota sem antes:
  1. Retomar a prova com ele e verificar, oralmente, o que ele quis dizer com o que escreveu;
  2. Pesquisar, principalmente, sobre a natureza do (s) erro (s) cometido (s): Ex: Não entendeu o que leu e por isso não respondeu corretamente ao solicitado? Leu, entendeu, mas não soube aplicar o conceito ou a fórmula? Aplicou o conceito (ou a fórmula) mas, desenvolveu o raciocínio de maneira errada? Em outras palavras: em que errou e por que errou?
  3. Dar ao aluno a opção de fazer prova oral ou atividade que utilize diferentes expressões e linguagens. Exigir que a criança comunique o que sabe, levante questões, proponha problemas e apresente soluções exclusivamente através da leitura e da escrita é violentá-lo; é, sobretudo, negar um direito - natural - de comunicar-se, de criar, de livre expressar-se.
Cabe ressaltar que, apesar destas questões, não há receita para trabalhar com alunos com dificuldades específicas de leitura. Portanto, é preciso que haja disponibilidade, criatividade e tempo para ocasiões de troca de informações sobre o conhecimento e aprendizado do aluno, planejamento de atividades e elaboração de instrumentais de avaliação específicos.


Cindy Pereira de Almeida Barros Morão
Neuropsicóloga - CRP: 06/108188


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